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terça-feira, novembro 04, 2025

4 DE NOVEMBRO, DIA DA FAVELA

 Celebra-se hoje 4 de novembro o Dia da Favela, uma data que simboliza sua primeira formação na cidade do Rio de Janeiro.

Primeira favela do Brasil, Morro da Providência existe há aproximadamente 130 anos.


O Rio de Janeiro tornou-se o primeiro estado brasileiro a receber uma favela, o Morro da Providência, situado na cidade carioca. Este tipo de habitação na cidade transformou-se na primeira favela do Brasil, marcando assim o término do século XIX.

A ocupação teve início por volta dos anos 1890, com ex-combatentes da Guerra de Canudos e habitantes expulsos de um cortiço. Mas outros elementos cruciais foram fundamentais para o aumento das favelas, são eles o processo de urbanização e industrialização, que se intensificou entre as décadas de 1940 e 1960, impulsionado por um expressivo êxodo rural.

A data de hoje, comemorada como o Dia da Favela em 4 de novembro, foi escolhida pela Central Única das Favelas como uma homenagem à presença e à resistência dessas comunidades na busca por um local para sobreviver.

FAVELAS NOS ESTADOS

Hoje não há um número oficial de favelas no Brasil para 2025, mas os dados mais recentes são do Censo 2022, que identificou 12.348 favelas e comunidades urbanas no país.

Nestas áreas vivem aproximadamente 16,4 milhões de pessoas, representando cerca de 8,1% da população brasileira.

Segundo informações, a maior favela do Brasil registrada em 2025 é a Rocinha, no Rio de Janeiro.

É a segunda maior favela em número de moradores, com cerca de 70.908 habitantes, é o Sol Nascente em Brasília, Distrito Federal.

Seguido de Paraisópolis em São Paulo, que ocupa o terceiro lugar, com aproximadamente 58.527 moradores.

O estado do Mato Grosso do Sul possui o menor número de favelas no Brasil, de acordo com dados do Censo 2022 do IBGE. Goiás e Santa Catarina também apresentam um percentual baixo de habitantes vivendo em favelas, estando também entre os menos favelizados do Brasil.


DE MORADIA AO MUNDO DO CRIME

As favelas representavam uma forma de moradia criada com o intuito de oferecer à população um local para viver. Entretanto, o aumento considerável propiciou a violência e a dominação do crime organizado nas favelas durante as décadas de 1970 e 1980.

Diversos fatores convergiram nesse período para criar o cenário que permitiu a estruturação e expansão das organizações criminosas no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo, que hoje atinge vários estados brasileiros. São eles: mistura de criminosos comuns com presos políticos; expansão do mercado de drogas; ausência do Estado e políticas públicas falhas, entre outros.

Na verdade, a primeira relevante organização criminosa do Rio de Janeiro, o Comando Vermelho (CV), surgiu no final dos anos 70 nos presídios, fruto da interação entre prisioneiros comuns e prisioneiros políticos.

O ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, o único político eleito pelo povo para governar dois estados, é sempre relacionado às facções nas favelas. É um tema controverso.

Em seus dois mandatos (1983-1987 e 1991-1994), Brizola, através de seu secretário de Polícia Militar no Rio de Janeiro, estabeleceu uma política voltada para a desmilitarização das operações policiais e a garantia dos direitos humanos nas comunidades carentes. Uma ação criticada até hoje pela população brasileira.

O governo Brizola implementou a Política de Segurança Pública com uma visão de segurança pública que via a violência nas favelas como um problema social, e não somente de natureza militar. Portanto, a proibição de operações policiais ostensivas e detenções sem flagrante nas comunidades, com o propósito de evitar abusos e confrontos com a população local, foi amplamente criticada.

Segundo os críticos, essa política, embora tenha objetivos nobres em termos de direitos humanos e redemocratização, resultou em um vácuo de poder que permitiu às facções já estabelecidas no tráfico de drogas expandir seu domínio territorial, aumentar seus ganhos e se armar de forma mais avançada, estabelecendo uma autoridade distinta da do Estado em várias favelas.

Atualmente, a alegação mais comum é que Leonel Brizola permitiu a ocupação de favelas por organizações criminosas devido a falhas na segurança. A crítica é frequente à sua estratégia de segurança pública, mesmo que o tema seja intrincado e debatido.

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